O Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, é uma homenagem aos profissionais que dedicam suas trajetórias à formação de pessoas e à construção de sociedades por meio da educação. No Brasil, as origens da data remontam a 1827, quando Dom Pedro I sancionou uma lei destinada à expansão do ensino no país. Mais de um século depois, em 1963, a celebração foi oficializada nacionalmente, consolidando o reconhecimento histórico da importância da docência.
Mas o impacto de um professor vai muito além de uma data comemorativa. Ao compartilhar conhecimentos, despertar novas perspectivas e ampliar oportunidades, ele influencia mudanças que ultrapassam os limites da sala de aula e que, às vezes, permanecem por décadas, até se revelarem em momentos que entram para a história.
Foi o que aconteceu quando Barack Obama, após ser eleito presidente dos Estados Unidos, fez questão de agradecer, ao lado de Michelle Obama, a Laurence Tribe, seu antigo professor em Harvard, pela contribuição à trajetória que o levou à Presidência. Um gesto que dá rosto e significado à célebre afirmação de Nelson Mandela: “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.” Esse é apenas um dos exemplos de professores cujo legado está gravado na história.
Afinal, todas as grandes descobertas científicas, todo Prêmio Nobel, todo foguete lançado em direção à Lua, começaram a ser estruturados na sala de aula muito antes de ganhar as páginas dos livros de história. Para transformar o mundo, alguém também precisa ter a oportunidade de aprender a transformá-lo, e esse aprendizado começa quando um professor ou professora escolhe dedicar sua vida a guiar as mãos que moldam o futuro.
Ensinar também é transformar a trajetória de outros profissionais
A importância de um professor começa a se revelar muito antes da escolha de uma profissão. Desde os primeiros anos escolares, são esses educadores que despertam a curiosidade, estimulam descobertas e ajudam seus alunos a desenvolver habilidades que os acompanharão por toda a vida. À medida que avançam os estudos, novos desafios surgem, mas a essência da docência permanece: abrir caminhos que talvez nunca fossem percorridos sem a presença de alguém disposto a ensinar.
Em 1887, a educadora Anne Sullivan assumiu o desafio de ensinar Helen Keller, uma menina que havia perdido a visão e a audição na primeira infância. Ao desenvolver estratégias pedagógicas adaptadas às suas necessidades, Anne possibilitou que Helen ampliasse suas formas de comunicação e aprendizagem. Anos depois, sua aluna se tornaria escritora e ativista, enquanto o trabalho de Sullivan permaneceria como uma referência na história da educação de pessoas com deficiência.
Mas nem todas as barreiras que um professor ajuda a superar são imediatamente visíveis. Algumas se apresentam na falta de oportunidades, nas desigualdades sociais e nas circunstâncias que ameaçam interromper os sonhos de uma criança. Foi diante dessa realidade que Louis Germain, professor de Albert Camus, reconheceu o potencial de um menino de origem humilde na Argélia e o ajudou a continuar estudando. Em 1957, ao receber o Prêmio Nobel de Literatura, Camus escreveu uma carta ao antigo mestre, agradecendo pelo apoio que havia recebido na infância. Mesmo diante do reconhecimento mundial, não havia esquecido quem acreditara nele quando seu futuro ainda era incerto.
Na universidade, essa relação assume outras dimensões. O contato com diferentes áreas do saber, o aprofundamento teórico e as primeiras experiências de pesquisa tornam a presença do docente fundamental para aqueles que começam a construir sua identidade acadêmica e sua carreira.
Foi nesse contexto que William Claytor, professor universitário na década de 1930, identificou o talento excepcional de Katherine Johnson para a matemática. Convencido de suas capacidades, elaborou uma disciplina especialmente para ela e a incentivou a seguir carreira científica. Anos depois, Katherine integraria a equipe da NASA responsável por cálculos essenciais para missões espaciais, levando consigo a preparação recebida de um educador que enxergou possibilidades em uma época marcada por profundas barreiras raciais e sociais.
Já na pós-graduação, o diálogo entre orientadores e estudantes ganha espaço na produção científica e na busca por respostas a questões ainda não resolvidas. Nessa etapa, a troca de experiências pode ser tão importante quanto o domínio dos conteúdos, especialmente quando desperta autonomia e confiança para explorar novas ideias.
Foi o que aconteceu com Jennifer Doudna, que, durante seus estudos em Harvard, enfrentava dúvidas sobre sua própria capacidade como pesquisadora. Certa tarde, seu orientador, Jack Szostak, pediu sua opinião sobre um experimento. A atitude, aparentemente simples, fez Jennifer perceber que suas ideias tinham valor e mereciam ser ouvidas. Décadas depois, ela receberia o Prêmio Nobel de Química de 2020 por seu trabalho no desenvolvimento de uma tecnologia revolucionária de edição genética.
Talvez Anne Sullivan não pudesse imaginar a dimensão que a história de Helen Keller alcançaria. Louis Germain certamente não conhecia todos os caminhos que aguardavam aquele menino chamado Albert Camus. William Claytor não sabia até onde a matemática levaria Katherine Johnson, assim como Jack Szostak não poderia prever as descobertas que ainda fariam parte da trajetória de Jennifer Doudna.
Mas todos eles participaram de histórias que ultrapassaram seu tempo e alcançaram pessoas muito além de suas salas de aula.
Aos professores que fazem parte da nossa história
Da educação básica à pós-graduação, essas histórias revelam que o legado de um professor não se limita ao tempo compartilhado com seus alunos. Ele permanece nas oportunidades que ajudou a criar, nas barreiras que seus ensinamentos permitiram enfrentar e nas escolhas que continuam a produzir resultados muito depois do último encontro em sala de aula.
Um professor pode transformar uma vida sem jamais conhecer a verdadeira dimensão daquilo que ajudou a construir. Na Pós Phorte, reconhecemos essa responsabilidade em nosso corpo docente, formado por especialistas que, além de construírem trajetórias acadêmicas e profissionais sólidas, escolheram compartilhar suas experiências para preparar outros profissionais. Assim, seus ensinamentos encontram novos caminhos: em outras salas de aula, nas academias, nos espaços de cuidado com a saúde, nas telas de cinema por meio das legendas de filmes e em tantos outros lugares onde o conhecimento pode fazer a diferença.
Em cada aula, existe a possibilidade de iniciar algo que ultrapassará os limites da instituição. Uma discussão pode despertar uma pesquisa, uma experiência pode mudar uma conduta e uma orientação pode abrir perspectivas antes inimagináveis.
Porque ensinar é também deixar uma parte de si em tudo aquilo que seus alunos ainda poderão realizar.
Feliz Dia do Professor
Neste 15 de outubro, Dia do Professor, a Faculdade Phorte presta sua homenagem a todos os educadores que dedicam suas trajetórias ao conhecimento, ao desenvolvimento humano e à educação.
De maneira especial, expressamos nossa admiração e gratidão aos professores que fazem parte do corpo docente da Faculdade Phorte e da Pós Phorte, profissionais que compartilham conosco a responsabilidade de ensinar, acolher e inspirar aqueles que escolheram continuar aprendendo.
Aos que nos ensinaram as primeiras palavras, aos que despertaram nossa curiosidade, aos que reconheceram nosso potencial e àqueles que continuam nos mostrando que sempre existe algo novo a descobrir, o nosso reconhecimento.
Porque as gerações passam, o mundo se transforma e o conhecimento encontra novos caminhos. Mas aquilo que um professor desperta em alguém pode permanecer vivo por toda a vida.
E talvez seja esse o maior legado da docência: deixar marcas que o tempo não apaga, porque continuam presentes nas pessoas, nas histórias e no futuro que ajudaram a construir.
Uma homenagem da Faculdade Phorte a todos aqueles que fazem da educação uma oportunidade de transformar vidas.
